Paciente relata humilhação em atendimento na UPA de Campo Belo; direção da unidade apresenta outra versão dos fatos

O relato da paciente Geisiane

No dia 9 de julho, uma paciente chamada Geisiane esteve na UPA José Belchior, em Campo Belo, e relatou ter vivenciado uma situação que considerou extremamente humilhante. Após ter sofrido um acidente de motocicleta há cerca de 15 dias, ela voltou à unidade de saúde em várias ocasiões para tratamento. No último atendimento, Geisiane destacou que o primeiro médico a atendê-la, Dr. Otávio, teve uma conduta exemplar, elogiada por ela.

Entretanto, ao final do plantão do Dr. Otávio, uma nova profissional assumiu a assistência, e foi nesse momento que as dificuldades começaram. Geisiane afirmou que ao discutir a emissão de um atestado médico e a necessidade de realizar alguns exames, houve um desentendimento que a fez se sentir desrespeitada.

Ela explica que a médica, segundo seu testemunho, aumentou o tom de voz, interrompeu o atendimento e deixou o consultório abruptamente. “Foi uma situação de muita humilhação”, declarou ela, lembrando que a profissional teria feito comentários sobre sua família como se fossem uma ameaça. Após o desentendimento, Geisiane foi informada de que precisava deixar a unidade, resultando no registro de um Boletim de Ocorrência.

humilhação no atendimento da UPA de Campo Belo

A resposta da UPA José Belchior

Em contrapartida, a direção da UPA apresentou uma nota oficial refutando a versão de Geisiane. A unidade de saúde informou que o primeiro caso relatado por Geisiane começou quando ela solicitou um atestado médico por um período de 30 dias. Após avaliação, a médica responsável determinou que não havia justificativa clínica para tal solicitação.

Segundo a administração, essa decisão levou a um momento de tensão, onde a paciente e seu acompanhante reagiram de forma exaltada, causando danos ao consultório médico. Para proteger a integridade da profissional, a equipe de segurança foi acionada e a Polícia Militar também compareceu ao local, registrando um Boletim de Ocorrência para documentar o incidente.

Desentendimentos e acusações

Além do relato de Geisiane, enquanto a equipe do Diário Campo Belo conversava com ela, outra acompanhante, identificada como Lidiane, sobre um episódio de atendimento em que sua mãe, uma idosa de 81 anos, também enfrentou dificuldades. Lidiane explicou que após o encerramento do plantão do médico anterior, ela se dirigiu à nova médica, mas a profissional se recusou a dar continuidade ao atendimento, deixando-a sem alternativas.

“Como eu poderia seguir com o atendimento da minha mãe se já não havia mais um médico disponível? Minha mãe sentia dores e precisava de ajuda imediata”, reivindicou Lidiane. Após a abordagem à equipe de enfermagem, um outro médico foi localizado e se dispôs a atender a paciente.

Impacto emocional das experiências

A situação descrita por ambas as mulheres ilustra a fragilidade do sistema de saúde e como um atendimento insatisfatório pode afetar profundamente a saúde psicológica e emocional dos pacientes e acompanhantes. A sensação de estar à mercê de um atendimento que deveria ser acolhedor, mas se transforma em experiência humilhante, é prejudicial e pode desestimular pacientes de buscarem ajuda médica futura.



A importância do atendimento humanizado

O atendimento humanizado é um conceito essencial em qualquer unidade de saúde. Isso envolve tratar os pacientes com dignidade, empatia e respeito. Quando o sistema de saúde falha em proporcionar isso, os efeitos podem ser desastrosos, como demonstrado pelos relatos de Geisiane e Lidiane. Os profissionais de saúde devem ser capacitados não apenas em conhecimentos técnicos, mas também em habilidades interpessoais que facilitem uma comunicação eficaz e um atendimento que respeite os direitos e sentimentos de cada paciente.

Protocolos e condutas da UPA

De acordo com a nota da UPA, as práticas e condutas dos profissionais da saúde devem seguir um conjunto de critérios técnicos, éticos e assistenciais. É crucial que todos os profissionais estejam cientes das maneiras adequadas de conduzir conversas delicadas, especialmente diante de situações que exigem atenção e compreensão adicionais, como a solicitação de atestados médicos ou a continuidade de tratamentos.

Contraponto de versões

A divergência entre o relato de Geisiane e a versão da UPA representa um problema comum em situações de atendimento ao público. Muitas vezes, a falta de comunicação clara entre o médico e o paciente ou entre a equipe médica e os acompanhantes pode resultar em mal-entendidos. Neste caso, as alegações sobre a conduta da médica e o comportamento da paciente ilustram como a percepção de um incidente pode variar significativamente dependendo do ponto de vista.

Desdobramentos após a denúncia

As experiências de Geisiane e Lidiane, além de destacar a necessidade de um atendimento melhor, também levam a um questionamento sobre como as unidades de saúde estão administrando e respondendo a tais incidentes. A UPA José Belchior, em sua nota, expressou não só o comprometimento com um atendimento de qualidade, mas também a repudiar toda e qualquer forma de violência e danos ao patrimônio público. Isso alude à importância de medidas disciplinares e ao treinamento contínuo para o pessoal.

Como garantir um atendimento de qualidade

Para garantir um atendimento eficiente e digno em unidades de saúde, a implementação de treinamentos regulares para todos os profissionais é fundamental. Isso inclui desde técnicas de comunicação eficazes até maneiras de lidar com situações de conflito. Além disso, a criação de um canal efetivo de feedback onde pacientes e acompanhantes possam expressar suas insatisfações e elogios contribuirá significativamente para a melhoria contínua do serviço.

Reflexões sobre a saúde pública em Campo Belo

A questão levantada pelas situações vividas por Geisiane e Lidiane nos obriga a refletir sobre a saúde pública em Campo Belo e em outras regiões. É crucial considerar como são tratados não apenas casos normais, mas também situações que exigem serviços de urgência. Melhorias no sistema, humanização do atendimento e um rigoroso controle de qualidade são passos necessários para assegurar que todos os cidadãos recebam a assistência de que precisam de maneira respeitosa e digna.



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