Museu Vassouras recebe instalação ‘Sertões: diálogos da 36ª Bienal de São Paulo’

Abertura do Evento e Significado Cultural

A partir do dia 26 de setembro de 2026, o Museu Vassouras, situado no Vale do Café, no estado do Rio de Janeiro, apresentará a instalação intitulada Sertões: diálogos da 36ª Bienal de São Paulo. Essa obra, desenvolvida pelo Instituto Sertão Negro em colaboração com a Fundação Bienal de São Paulo e o Instituto Inhotim, ficará em exibição até 4 de abril de 2027, com entrada gratuita. Essa proposta resulta de uma união de esforços entre essas instituições, promovendo a valorização da cultura e das tradições locais.

O evento não apenas marca a presença artística no museu, mas também reflete questões sociais e culturais significativas. É uma oportunidade para que os visitantes se conectem com o rico legado das comunidades quilombolas e suas contribuições para a arte e a cultura brasileira.

A Construção Colaborativa e seu Impacto

Um dos aspectos mais fascinantes da instalação é a construção de uma parede de taipa de mão, que será realizada de forma colaborativa. Estão envolvidos nesse processo, membros do Quilombo Kalunga de Goiás e do Quilombo São José da Serra, localizado em Valença, no Rio de Janeiro. Esta atividade representa uma importante junção de saberes e experiências, sendo um marco na interação e na valorização do conhecimento tradicional e das técnicas de bioconstrução.

Sertões: diálogos da 36ª Bienal de São Paulo

A troca de habilidades entre os integrantes das comunidades quilombolas não apenas reforça laços sociais, mas também destaca a importância da realização conjunta de um projeto que enfatiza a ancestralidade e a co-autoria.

A Dimensão do Território na Instalação

Em sua essência, Sertões explora a relação indissociável entre arte e território. Cada peça e elemento da instalação foi criado tendo em mente a conexão com a história e a paisagem cultural do Brasil. A proposta é que os visitantes não apenas vejam a obra, mas também sintam a presença do território que a sustenta, tornando o espaço de exibição um lugar de reflexão e imersão.

A instalação dialoga com questões de memória e pertencimento, reafirmando a relevância do espaço geográfico na construção da identidade cultural. É um convite para apreciar não apenas a arte em si, mas a história que cada figura e cada técnica representam.

Conexão com Comunidades Quilombolas

No coração da instalação, encontramos um forte elo com as comunidades quilombolas que, através de suas histórias e saberes, nos oferecem uma nova visão sobre a cultura brasileira. Os depoimentos de figuras respeitadas da comunidade Kalunga, como Deuselina Maia, Sirilo dos Santos Rosa e Procópia dos Santos Rosa, estão incorporados na montagem, acrescentando profundidade e autenticidade.

Essas vozes, que ecoam experiências de luta, resistência e celebração, ajudam a construir um panorama mais amplo da rica tapeçaria cultural que compõe a identidade quilombola. A participação dessas lideranças é essencial para que suas histórias sejam contadas e preservadas.

A História do Museu Vassouras

O Museu Vassouras é um edifício histórico que se destaca por sua arquitetura do século 19, sendo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1986. O casarão, construído entre 1848 e 1853, passou por um cuidadoso processo de restauro e adaptação entre 2019 e 2025, tornando-se um espaço que abriga diferentes manifestações culturais e artísticas.



O projeto de interiores, assinado pelo Superdimensão Estúdio de Arquitetura, ao lado das arquitetas Gabriela de Matos e Audrey Carolini, foi desenvolvido para garantir flexibilidade no uso dos espaços, permitindo que diversas montagens e exposições possam coexistir sem comprometer a integridade do imóvel histórico. Esta reestruturação visa oferecer uma melhor experiência aos visitantes, ressaltando a importância do patrimônio cultural.

Exposições Associadas: Vozes do Vale

Junto com Sertões, o Museu Vassouras também dará início à exposição Vozes do Vale, que será inaugurada na mesma data. Essa mostra é o resultado de uma pesquisa minuciosa com os moradores da região, abordando suas vivências e histórias.

A exposição contará com obras de artistas como Luiz Zerbini, Minerva Cuevas e Rose Afefé, e tem como objetivo aprofundar a ligação entre arte, memória e o território do Vale do Café. A convergência dessas experiências artísticas criará um diálogo rico, permitindo que os visitantes compreendam melhor as dinâmicas locais.

Arte e Memória: Temas Centrais

Os temas de memória e ancestralidade são cruciais tanto na instalação Sertões quanto na exposição Vozes do Vale. Eles se entrelaçam para criar um espaço onde as histórias do passado se encontram com as narrativas contemporâneas. A proposta é que cada obra exposta possa provocar reflexões sobre a identidade cultural, a história e como essas dimensões se manifestam no presente.

Por meio da arte, o museu enfatiza a importância da preservação das tradições e práticas culturais, contrastando com a modernidade e os desafios atuais vividos pelas comunidades locais.

Participação dos Artistas e Contribuições Locais

A instalação se destaca por incluir o trabalho de artistas locais, moradores e colaboradores do Instituto Sertão Negro. Este aspecto colaborativo é fundamental, pois não apenas enriquece a obra, mas também promove uma maior inclusão e representação das vozes que normalmente não têm espaço nas narrativas artísticas mais amplas.

Através desse envolvimento, a instalação se torna um reflexo autêntico da diversidade cultural do Brasil, celebrando as contribuições de cada um e o impacto que a arte pode ter na sociedade.

React vai arrasar: interação com o público

Além das exposições, o Museu Vassouras pretende implementar uma série de atividades interativas que conectem os visitantes às obras e suas histórias. Essas iniciativas buscarão engajar o público em discussões sobre a importância da arte e da cultura na formação da identidade brasileira, e como essas expressões artísticas influenciam a sociedade como um todo.

A equipe do museu trabalhará para criar momentos de reflexão, participação e aprendizagem, utilizando a arte como veículo para fomentar diálogos sobre temas contemporâneos e a valorização da diversidade cultural.

Visitação e Horários do Museu Vassouras

Os interessados em visitar o Museu Vassouras podem se programar para conhecer tanto Sertões: diálogos da 36ª Bienal de São Paulo quanto Vozes do Vale. As visitas são gratuitas e os horários de funcionamento são de quinta a domingo, das 10h às 18h. Este é um convite especial para que todos possam explorar as belezas e significados que essas exposições trazem.

Com tanta diversidade de atividades e a rica programação, o Museu Vassouras se posiciona como um espaço importante para a promoção da cultura e da arte no Brasil, criando um entorno onde passado e presente se encontram e se dialogam.



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