Bienal de São Paulo reúne 80 obras no Palácio das Artes

A proposta da Bienal de São Paulo e suas reflexões

A 36ª Bienal de São Paulo foi instalada nas galerias do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, e traz cerca de 80 obras de arte contemporânea. A exposição, que é gratuita, ficará aberta até o dia 6 de dezembro e conta com a participação de 21 artistas e coletivos, tanto nacionais quanto internacionais. Sob o título “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”, a mostra abrange uma diversidade de linguagens, incluindo pinturas, esculturas, fotografias, instalações, obras audiovisuais e performances.

A curadoria, realizada por Alya Sebti e Leonardo Matsuhei, incentiva uma reflexão sobre temas como pertencimento, memória, cuidado e transformação. Inspirada no poema “Da calma e do silêncio” da escritora mineira Conceição Evaristo, a proposta se fundamenta na escuta e nas relações humanas, abordando questões relacionadas ao território, à ancestralidade e às vivências de diferentes comunidades. Os trabalhos apresentados também discutem temas relevantes como as crises climáticas, a resistência cultural e a herança africana na diáspora.

Artistas em destaque na exposição

Dentre os participantes da Bienal de São Paulo, destacam-se artistas como Gervane de Paula, Ming Smith, Ruth Ige, Nádia Taquary, Antonio Társis, Leiko Ikemura, Emeka Ogboh, Lidia Lisbôa e Manauara Clandestina. A conexão entre a produção de artistas de diversas regiões do Brasil e de cidades internacionais como Londres, Berlim, Paris e Cidade do Benin enriquece o debate sobre arte contemporânea e reforça o intercâmbio cultural.



Bienal de São Paulo

Entre os artistas locais, Maria Auxiliadora, uma importante representante da arte afro-brasileira do século 20, é notável por retratar cenas do cotidiano negro urbano e manifestações religiosas. Outro destaque é Iggor Cavalera, músico e fundador da banda Sepultura, que participa de uma criação coletiva com músicos indígenas. Essa colaboração inclui uma composição multicanal que une sons urbanos e ritmos indígenas, promovendo um diálogo sonoro enriquecedor.

Cidade-sede e a itinerância da Bienal

A exposição no Palácio das Artes também marca os 15 anos de parceria entre a Fundação Clóvis Salgado e a Fundação Bienal de São Paulo. Desde 2011, o espaço recebe partes da exposição, e esta é a oitava participação consecutiva na programação. Além de Belo Horizonte, a Bienal de São Paulo está presente em um circuito que inclui 15 cidades, das quais três estão fora do Brasil, com a itinerância deste ano passando por Belém e seguindo para Vitória.

A ocupação traz ainda uma série de atividades educativas, visitas mediadas e recursos de acessibilidade, incluindo audioguia com audiodescrição, mapa tátil, guia em linguagem simples e descrição de imagens por meio do aplicativo Bloomberg Connects. Essa abordagem visa assegurar que todos possam desfrutar e interagir com as obras de arte apresentadas, promovendo uma experiência inclusiva para os visitantes.



Deixe um comentário