Os Primeiros Anos de Tomie Ohtake
Tomie Ohtake nasceu no Japão e se mudou para São Paulo aos 23 anos. Inicialmente, ela desempenhou o papel de dona de casa e mãe de dois filhos. Sua jornada artística começou tarde, com a decisão de seguir a carreira de artista aos 40 anos. Uma vida cheia de dedicação à família precedeu sua famosa estreia, que ocorreu em 1957, quando realizou sua primeira exposição individual no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP).
A Carreira Tardia de Tomie Ohtake
A partir de então, Tomie se consolidou como uma figura fundamental no movimento do abstracionismo informal no Brasil. Suas obras são marcadas por formas geométricas orgânicas e uma paleta de cores vibrantes, que frequentemente exploram contrastes com cores primárias. Sua técnica evoluiu muito ao longo dos anos, especialmente a partir de 1990, quando começou a utilizar tinta acrílica diluída, permitindo a criação de camadas e transparências em suas peças. Notavelmente, na década de 1960, ela desenvolveu obras blindadas, onde o gesto e a intuição se tornaram protagonistas do processo criativo.
O Impacto do Abstracionismo Informal
Tomie Ohtake se destacou por suas obras tridimensionais que muitas vezes apresentam grandes dimensões. Suas criações são caracterizadas por ondas e linhas curvas, que trazem um aspecto orgânico e uma geometria livre. Durante sua trajetória, ela produziu mais de 30 obras públicas em São Paulo e participou de 20 bienais internacionais, além de diversas exposições no Brasil. Seu impacto se estendeu até o Japão, onde realizou esculturas para museus. Em reconhecimento ao seu talento, recebeu o prêmio Itamaraty em uma das bienais de São Paulo e, em 1980, foi agraciada com a Ordem de Rio Branco pela sua escultura em homenagem à imigração japonesa no Brasil.

As Obras Públicas de Tomie Ohtake
Em São Paulo, algumas de suas mais icônicas obras incluem quatro grandes painéis na Estação de Metrô Consolação, uma escultura de concreto na Avenida 23 de Maio, e uma pintura em uma parede cega na Ladeira da Memória. Além disso, cidades como Ipatinga, Registro e Santos também possuem monumentos em sua homenagem.
Manabu Mabe: Do Japão ao Brasil
Manabu Mabe, nascido em 1924 e falecido em 1997, também imigrou do Japão, vindo a São Paulo para trabalhar nas plantações de café com sua família. Sua trajetória artística inclui pintura, gravura e ilustração. Mabe iniciou sua formação sob a ótica autodidata, utilizando revistas e livros japoneses como referência. Sob a tutoria do pintor e fotógrafo Teisuke Kumasaka, ele aprendeu técnicas de diluição de tintas e preparação de telas. Posteriormente, aprofundou seus conhecimentos com o artista Yoshiya Takaoka e fez parte do Grupo Seibi, assim como Tomie.
A Influência de Manabu Mabe na Arte Brasileira
Em 1953, Mabe tomou uma decisão corajosa: vendeu sua plantação de café para se dedicar exclusivamente à pintura em São Paulo, acompanhado da esposa e dos filhos. Sua entrega à arte era evidente, refletindo em sua determinação: Vamos passar fome, não sei fazer outra coisa, vou pintar até morrer, disse ele à sua esposa. Mabe teve uma carreira luminosa na década de 1950, participando de exposições reconhecidas tanto no Brasil quanto no exterior. Na Bienal de 1959, foi destacado como o melhor pintor nacional e continuou a receber prêmios em várias partes do mundo, exibindo sua obra em inúmeros países.
Exposições Marcantes de Tomie Ohtake e Manabu Mabe
As obras de Manabu Mabe estão representadas no Museu de Arte de São Paulo (MASP) e em várias galerias, além de estarem espalhadas por museus internacionais, incluindo Kyoto no Japão, Estados Unidos e Venezuela. A galeria Simões de Assis, localizada em Balneário Camboriú, contém um acervo significativo de suas obras.
A Relação entre Tomie e Manabu no Grupo Seibi
Tanto Tomie Ohtake quanto Manabu Mabe foram membros do Grupo Seibi, que enfatizava e celebrava o trabalho de artistas japoneses no Brasil. Essa relação e as suas individualidades contribuíram de maneira distinta para o desenvolvimento da arte contemporânea brasileira, demonstrando como a cultura japonesa se integrou e inovou no contexto artístico do país.
Legados e Contribuições para a Arte Contemporânea
Ambos artistas deixaram um legado duradouro, não apenas na forma de suas obras, mas também ao inspirar novas gerações de artistas através de suas histórias de vida e perseverança. Ohtake e Mabe utilizaram suas experiências enquanto imigrantes para enriquecer o cenário artístico brasileiro com uma visão única e inovadora.
Visitas Imperdíveis em São Paulo e seus Acervos
Para aqueles que desejam explorar mais sobre a arte de Tomie Ohtake, sua antiga casa e ateliê, onde ela residiu e trabalhou por mais de 45 anos, foi transformada em um Centro Cultural em São Paulo, localizado no bairro Campo Belo. O projeto, um exemplo do estilo minimalista, é de autoria de seu filho, o arquiteto Ruy Ohtake, e destaca o uso funcional da luz natural, sendo uma visita enriquecedora para arquitetos e estudantes da área.
Além disso, o Instituto Tomie Ohtake, fundado por seu outro filho, o arquiteto e designer Ricardo Ohtake, é mais um local de destaque em São Paulo. Situado no bairro Pinheiros, oferece uma variedade de exposições, eventos sociais e corporativos, além de abrigar obras de Tomie. No espaço, atualmente, estão em exibição obras de Luiz Zerbini e uma mostra sobre a cultura indígena e seus saberes.
Em suma, tanto Tomie Ohtake quanto Manabu Mabe são ícones que ilustram a integração cultural e as contribuições significativas de artistas imigrantes para a arte brasileira contemporânea, refletindo suas experiências e visões de um mundo em constante transformação.


